quarta-feira, 18 de abril de 2018

Aveia



A aveia é bastante conhecida no mundo todo, e pode ser encontrada em muitas mesas de café da manhã. Mas você sabe o que exatamente é a aveia, quais as suas propriedades, quais os benefícios da aveia e para que serve? A seguir iremos abordar com mais detalhes tudo que esse alimento barato e saboroso tem a nos oferecer.

Tipos de aveia:
No Brasil encontramos aveia à venda de diferentes formas. São elas:
- Aveia em flocos: se trata dos grãos inteiros da aveia apenas prensados, por isso, essa versão conserva todos os nutrientes e fibras do grão. Podem ser encontrados como flocos finos ou regulares, mas eles diferem apenas no tamanho e têm as mesmas propriedades nutricionais. Por estar na forma de flocos, pode ter menos versatilidade no momento de adicioná-los a diferentes receitas.
– Farelo de aveia: é obtido a partir da parte mais externa do grão, a casca, e por isso contém uma concentração de fibras bastante alta, assim a sua cor e textura são diferenciadas. É bastante versátil no preparo de receitas.
– Farinha de aveia: é obtida da parte mais interna do grão e por isso contém menos fibras que as outras duas versões. Mas ainda assim, contém grande quantidade de nutrientes e é bastante versátil na utilização em diversas receitas.
– Aveias com sabor, instantâneas ou adicionadas em outros produtos: você pode encontrar ainda versões incrementadas com sabor de maçã e canela, mel, com frutas secas, granolas, mingais instantâneos, enfim, diversas opções. Entretanto, nesses casos, é preciso estar atento à adição de outros ingredientes como o açúcar, que podem tornar os produtos muito menos saudáveis que a aveia sozinha.


Propriedades da Aveia

Os inúmeros benefícios da aveia são consequência das suas excelentes propriedades nutricionais. Ela é rica em fibras solúveis e insolúveis e em minerais como manganês e molibdênio, fósforo, magnésio, cobre, cromo e zinco. Possui ainda vitamina B1, biotina e uma proporção alta de proteínas quando comparada a outros alimentos de origem vegetal.
Cerca de 40g de aveia (2 colheres de sopa cheias) fornecem 140 calorias distribuídas entre carboidratos (23 g), proteínas (6 g) e gorduras (3 g). Contém ainda quase 4 g de fibras alimentares, que correspondem a 15,5% dos valores diários (VD) desse nutriente; 96% VD de manganês, 64% VD de molibdênio, 29% VD de fósforo, 27% VD de cobre e 26 e 25% dos VD de biotina e vitamina B1 respectivamente.

Quais os benefícios da Aveia?
O consumo de aveia pode trazer muitos benefícios à saúde e o bem estar, tornando seu dia-a-dia mais saudável e ainda, mais saboroso. Veja a seguir quais os principais benefícios da aveia, esse grão cheio de nutrientes.

1)    Excelente fonte de carboidrato e energia
A aveia é um alimento de baixo índice glicêmico, ou seja, os carboidratos presentes nesse alimento são absorvidos lentamente, não provocando picos de glicemia e consequentemente de insulina. Esse tipo de carboidrato é o mais saudável e mais recomendado antes da prática de atividades físicas, pois mantém a absorção e disponibilização de carboidratos na corrente sanguínea por um longo período, além de aumentar a taxa de queima de gordura durante o exercício.
Uma pesquisa publicada no Journal of Sport Nutrition and Exercise Metabolism em 2006, mostrou que o consumo de uma refeição com baixo índice glicêmico (IG) antes de um treino de corrida resultou em uma performance melhor do que refeições com IG maiores.
A musculatura precisa ser abastecida com nutrientes para que consiga obter energia e desempenhar bem suas funções durante atividades físicas, a aveia com certeza é uma excelente fonte desses nutrientes, ajudando também na recuperação muscular após o exercício.

2) Ajuda na perda de peso
A aveia não é um alimento de baixo teor calórico. Porém se consumida em quantidades adequadas pode sim ajudar no processo de emagrecimento. Isso porque é rica em fibras, que proporciona uma maior saciedade por um período prolongado de tempo. Assim, a fome é menor e consequentemente cumprir a dieta e comer menos se torna mais fácil.
Além disso, a aveia contém um composto chamado beta glucana, que é um tipo de fibra que aumenta níveis de colecistoquinina, um hormônio que leva a um aumento na sensação de saciedade.

3) Ajuda no ganho de massa muscular
Além de carboidratos de excelente qualidade, a aveia contém ainda uma quantidade considerável de proteínas vegetais. Como já citamos, quarenta gramas de aveia fornecem cerca de 6g de proteínas, o que é bastante em comparação à maioria dos alimentos vegetais, que na sua maioria são compostos por carboidratos e/ou gorduras.
Apesar de ser fonte proteica, a aveia, assim como outras fontes vegetais, não fornece todos os aminoácidos essenciais, sendo uma fonte pobre em lisina. Assim é necessário obter esse aminoácido de outras fontes proteicas, como feijão, lentilha e proteínas animais. Porém, ainda assim, incluir a aveia na sua alimentação pode ser uma boa opção para obter toda a proteína que necessita para a recuperação e construção muscular estimulada pela atividade física.
Para que os músculos cresçam, além de aminoácidos, ele precisa de energia, e como vimos anteriormente, a aveia é uma excelente fonte energética.
A aveia pode ajudar o ganho de massa magra também por fornecer outros nutrientes como ferro e vitaminas do complexo B, que atuam, respectivamente, no carreamento de oxigênio pelo organismo e para dentro dos músculos (combustível essencial para a produção de energia) e no metabolismo de carboidratos e proteínas, permitindo um melhor aproveitamento dos nutrientes provenientes da dieta.

4) Melhora a saúde cardiovascular
Estudos já demonstraram que o consumo de grãos integrais, entre eles a aveia, está diretamente associado a uma melhor saúde do coração e das artérias, reduzindo a pressão sanguínea e as chances de desenvolver doença coronariana. Um deles, publicado em 1999 no The American Journal of Clinical Nutrition, durou 10 anos e mostrou que há uma ligação direta entre o consumo de aveia e uma vida mais saudável. Esse benefício é associado à presença das fibras solúveis no alimento.
Outro estudo, publicado no Archives of Internal Medicine, estudou 10 mil pessoas por 19 anos e identificou que comer alimentos ricos em fibras, como a aveia, reduziu as chances de doença coronariana em até 15% e de doenças cardiovasculares em até 11% para as pessoas que ingeriram 21 g de fibras diariamente.

5) Diminui o Colesterol
A fibra do tipo beta glucana também é muito benéfica para a redução de colesterol, sendo uma importante aliada de pacientes que precisam controlar quadros de dislipidemias. Estudos mostram que consumir diariamente apenas 3g de fibras solúveis provenientes da aveia, reduz o nível de colesterol de pacientes com taxas elevadas (mais de 220mg/dl de sangue) em 8 a 23%. Considerando que a redução de 1% no nível de colesterol equivale a uma redução de 2% no risco de desenvolver doença cardíaca, esse é um resultado extremamente significativo.
O colesterol é importante para diversas funções no organismo, porém, quando a sua concentração passa de níveis adequados, ele pode facilmente se acumular na parede dos vasos sanguíneos formando o que chamamos de placa aterosclerótica, e podendo levar à obstrução de vasos e consequentemente a infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral.
Um antioxidante presente na aveia, a avenantramida ainda foi capaz de inibir significativamente a oxidação do colesterol, uma etapa importante da formação de placas nas artérias. Essa ação foi potencializada pela vitamina C. Portanto, associar aveia e um alimento rico em vitamina C como a laranja, podem trazer ainda mais benefícios e consumir aveia vai te ajudar a melhorar níveis de colesterol, proteger contra danos oxidativos e te manter mais saudável.

6) Ajuda a prevenir a insuficiência cardíaca
A insuficiência cardíaca é outra doença do sistema vascular que atinge principalmente idosos. Ela apresenta uma alta taxa de mortalidade, sendo que cerca de 37% dos pacientes morrem no primeiro ano após desenvolver a doença e 78,5% morrem em até 5 anos segundo um estudo com 2445 pacientes publicado em 2007. O tratamento é feito com inibidores da ECA e betabloqueadores porém o prognóstico geralmente não é animador.
Ao identificar os benefícios da aveia sobre a redução de colesterol e da pressão sanguínea, pesquisadores de Harvard investigaram um grupo de mais de 21 mil pessoas e identificaram que aqueles que consumiam aveia todos os dias no café da manhã apresentaram uma chance cerca de 29% menor de desenvolver insuficiência cardíaca.
Assim, consumir aveia hoje, irá ajudar também a ter uma velhice mais saudável.

7) Melhora a saúde cardiovascular em mulheres na pós-menopausa
Um estudo publicado no American Heart Journal estudou mais de 200 mulheres por 3 anos e mostrou que mulheres após a menopausa que apresentavam doença cardíaca (colesterol e pressão alta, aterosclerose, entre outras) tiveram progressões de aterosclerose e estenose retardadas ao ingerir pelo menos 6 vezes na semana uma porção de grãos integrais, incluindo a aveia. O mesmo resultado não foi obtido pelas mulheres que ingeriram fibras provenientes de frutas, legumes ou grãos refinados.

8) Melhora a resposta imune à infecção
As beta glucanas se mostraram eficientes também, em auxiliar o sistema imune ao interferir sobre a atividade de neutrófilos. Neutrófilos são células não específicas do sistema imune que atuam na defesa contra micro-organismos invasores. Estudos laboratoriais mostraram que a beta glucana aumentou a velocidade com que os neutrófilos chegam aos locais de infecção e também melhorou a sua capacidade em eliminar as bactérias presentes.
Assim, como nosso sistema de defesa não especifico, ou seja, que não dependem de anticorpos específicos para o invasor que está sendo combatido, é a primeira barreira contra patógenos, a aveia pode melhorar a saúde também por aumentar a velocidade e eficiência da resposta imune.

9) Protege Pele
De acordo com a Academia Americana de Dermatologia, a aveia é capaz de normalizar o pH da pele, atuando como um calmante e ajudando a aliviar a irritação e a coceira.
A ação benéfica da aveia para a pele seria devido à sua concentração de amidos e beta glucanas capazes de reter água, formando um coloide, à presença de compostos fenólicos com atividade antioxidante e anti-inflamatória e outros nutrientes como cobre, zinco, selênio e vitaminas do complexo B.
Não por acaso a aveia é também muito utilizada em formulações cosméticas.

10) Previne o Diabetes
Por ter baixo índice glicêmico, a aveia ajuda a prevenir o diabetes, diminuindo a taxa de absorção dos carboidratos e melhorando a sensibilidade à insulina. Dietas que levam a baixos IGs são associadas a menores índices de resistência à insulina e menor prevalência de diabetes tipo II segundo um estudo de 2006 publicado no The American Journal of Clinical Nutrition.
Portanto, além de todos os outros benefícios a aveia pode ajudar no controle da ocorrência de outra doença importante que é o diabetes.

11) Reduz risco de Câncer de Cólon
Estudos comprovaram uma relação positiva entre o consumo de fibras, principalmente provenientes de grão integrais, entre eles a aveia, e a redução da incidência de câncer de cólon, que é o intestino grosso. As fibras são incorporadas no bolo fecal e absorvem água, facilitando a sua passagem pelo intestino, prevenindo a constipação, que é fator de risco para esse tipo de câncer. Quanto maior o consumo de fibras, maior foi a redução do risco encontrada.

Atenção: A aveia não contém glúten, ao contrário da farinha de trigo, e por isso pode ser utilizada com segurança por pacientes com doença celíaca. Porém é preciso ter cuidado com produtos que possam ser processados em equipamentos que também processam derivados do trigo, aumentando o risco de contaminação cruzada e desencadeamento de reações ao consumir a aveia.
O consumo em excesso também pode ser prejudicial. Apesar de serem bastante benéficas, o excesso de fibras pode causar problemas gastrointestinais.


quarta-feira, 11 de abril de 2018

CEVADA



Com o nome famoso por ser um componente da cerveja, a cevada é um cereal integral bastante nutritivo cuja planta lembra muito o trigo. A semelhança, porém, está mais na aparência que na composição; a cevada oferece mais nutrientes que o consumo de trigo.
“A farinha de cevada verde é cheia de vitaminas A, do complexo B, C e K, além de minerais como cálcio, fósforo, selênio, zinco, iodo e cobre. Todos esses nutrientes são necessários para o bom funcionamento do organismo”, comenta Mohamad Barakat, endocrinologista e especialista em fisiologia do exercício e nutrologia.

As propriedades da cevada:

 

1.    Selênio: tem ação antioxidante, ajuda a regular os hormônios da tireoide, auxilia na prevenção de cânceres e na saúde do sistema imunológico.
2.    Magnésio: regula a absorção de minerais, auxilia na saúde de ossos e músculos. Também ajuda o corpo a produzir energia e a manter o ritmo cardíaco normal.
3.    Cobre: auxilia a atividade celular, ajudando na produção de energia e proteção.
4.    Cálcio: contribui para a saúde de ossos e dentes, construindo-os e mantendo-os fortes.
5.    Manganês: também ajuda na formação do osso é um componente de enzimas que ajudam na regulação de colesterol, carboidratos e aminoácidos.
6.    Fósforo: assim como o cálcio, o fósforo está diretamente ligado à saúde de dentes e ossos. Além disso, ajuda a manter o pH do corpo em nível regular.
7.    Vitamina B1: a vitamina B1, ou tiamina, é uma das vitaminas do complexo B presentes na cevada. Esta vitamina tem propriedades essenciais para o bom funcionamento do coração, do sistema nervoso e dos músculos.
8.    Vitamina K: tem grande papel na coagulação sanguínea e contribui para a saúde do esqueleto.

 

 

 

Como consumir a cevada:

A cevada pode ser consumida em diferentes formatos para fornecer ao organismo todas as suas propriedades, nutrientes e benefícios à saúde. Confira os principais:
·       Farelo: o farelo de cevada pode ser usada em receitas de pães, tortas e bolos como alternativa à farinha de trigo.
·       Grãos: os grãos da cevada também podem ser incluídos em receitas de saladas, risotos e outros pratos.
·       Solúvel: a cevada solúvel pode ser consumida como o café, assumindo cor e gostos bastante semelhantes à bebida. Porém, o café de cevada não possui cafeína. Além disso, esta forma pode ser acrescentada em sopas e sucos para aumentar ainda mais os nutrientes dos pratos.
·       Chá: o chá de cevada é bastante popular em países da Ásia. Preparado a partir dos grãos macerados ou torrados, o chá pode ser tomado quente ou gelado.
·       Cápsulas: a cevada em cápsula pode ser uma boa opção para quem não deseja consumir a cevada como parte da alimentação e ainda quer usufruir de seus benefícios.
·       Peeling: como traz grandes benefícios para a saúde e a beleza da pele, os peelings à base de cevada têm efeito clareador, ajudam na hidratação e no combate ao envelhecimento.

5 Receitas com Cevada:

 

1. Risoto de cevada: este risoto complementa a cevada com outros vegetais – tomate, cenoura, salsinha e cebolinha. Fácil de fazer, o prato também pode ser consumido como salada, basta esperar esfriar.
2. Cevaccino: para quem quer substituir o café por cevada, esta é uma boa receita de bebida semelhante ao capuccino e sem conter cafeína. O formato de cevada utilizado é o solúvel, misturando com leite em pó, bicarbonato de sódio, canela e chocolate em pó.
3. Cevadinha ao vinagrete: esta receita usa a cevada em grãos e é uma alternativa prática, rápida e fácil de um bom tempero para consumir o cereal em forma de salada.
4. Risoto cremoso de cevada: nesta receita, o risoto é complementado com rúcula e nozes, além de resultar em um prato bem cremoso, graças à utilização de sour cream ou creme de leite fresco.
5. Cevada com carne: usando a cevada em grãos, esta receita combina o cereal com outros vegetais e carne cozida. Uma boa opção para uma refeição completa, nutritiva e fácil de preparar.

 

Atenção: Assim como o trigo, a cevada contém glúten. Sendo assim, é contra indicada aos pacientes celíacos. Nesse caso, o amaranto pode ser uma boa alternativa para substituir a cevada como cereal integral, uma vez que contém alto valor nutritivo (é rico em proteínas, fibras, cálcio, ferro, potássio, fósforo e vitaminas) e não possui glúten em sua composição.


segunda-feira, 2 de abril de 2018

Por que ir a um(a) nutricionista?





Sabe como é difícil encontrar uma dieta que funcione?
Dieta da proteína, paleolítica, atkins, low carb, dieta da lua, da sopa..etc…São várias Opções! Mas já reparou que funciona pra uma parcela da população e para grande maioria acaba recaindo no efeito sanfona?
Essa pergunta parece óbvia, mas é um tema importante de ser discutido.
Boa parte das vezes a dieta não funciona porque não foi feita pra você. Simplesmente isso. A dieta da revista não é para você, a da sua amiga também não é para você. Lembrando também que endócrino não pode prescrever dieta, educar físico também não, médico também não e coach de emagrecimento também não – a não ser quem é nutricionista. Por lei, só o nutricionista pode prescrever dieta: é uma atividade privativa. E se há uma lei é porque tem um bom motivo.
O nutricionista estuda no mínimo 4 anos – fora as pós graduações –
É que nem quando você está doente e se automedica procurando o nome de um remédio ou doença no google. Em alguns casos até ajuda se for algo simples, mas no fundo você sabe que na maioria das vezes não vai funcionar 100% porque quem sabe a dosagem adequada e a doença real é só um médico. Pode causar até problmeas mais graves.
E com alimentação é essa mesma linha de raciocínio. A internet não tem o suplemento que você precisa, nem como você precisa tomar, não tem uma dieta que seja sua. Pode até ser que melhore um pouco sim, mas não vai ser eficaz nem personalizado. No caso de atletas nem se fala: se cada segundo faz diferença na performance final, por que correr o risco de uma dieta que não é para você?
Outro ponto importante: não pense em “dieta” como algo ruim e restritivo. A dieta nada mais é do que aquilo que você come todos os dias. E você deve ter prazer em comer, seu organismo merece alimentos de boa qualidade que vão te proporcionar bem estar e saúde.
Faça isso por você!
FONTE: https://dietbox.blog/2018/03/08/por-que-ir-a-uma-nutricionista/?utm_source=Nutricionistas+Dietbox&utm_campaign=a7a5e225d3-newsletter&utm_medium=email&utm_term=0_cb302e3125-a7a5e225d3-189134453
Isa Vitiello
Esp. Fisiologia do Exercício e Nutrição Esportiva
Crn3-38230

terça-feira, 27 de março de 2018

Dieta Dukan


   A dieta Dukan é rica em proteínas, restrita em gorduras e com baixo teor de carboidratos, sendo dividida em quatro fases. A primeira fase possui duração de sete dias e é chamada de “fase de ataque”: nela, os indivíduos só podem consumir alimentos fontes de proteínas e com pouca gordura (“proteínas magras”), e farelo de aveia. A segunda fase é denominada “fase do cruzeiro”, em que se continua o consumo de alimentos fontes de proteínas e com pouca gordura, com a adição de algumas verduras e legumes, e essa fase deve ser mantida até que o indivíduo alcance o peso desejado. Na fase seguinte, nomeada “fase de consolidação”, inicia-se a reintrodução dos alimentos fontes de carboidratos na dieta, enquanto na quarta e última fase ou “fase de estabilização” é permitido o retorno dos hábitos alimentares, exceto em um dia da semana, quando deverão ser consumidos apenas os alimentos permitidos na primeira fase, ou seja, uma dieta rica em proteínas e farelo de aveia.
   Esta dieta se encontra no grupo das restritas em carboidratos. Até o momento, são poucos os estudos que avaliam a efetividade desse tipo de dieta, mas muitos indivíduos têm declarado alcançar o objetivo de reduzir peso. Porém, observa-se que, assim como várias outras dietas restritivas, a Dukan não consegue ser mantida em longo prazo, além de não promover a reeducação alimentar e a adoção de outros hábitos de vida saudáveis. Um levantamento de indivíduos que adotaram a dieta mostrou que, aproximadamente, 75% retornam ao peso anterior.
   Adicionalmente, é importante considerar as consequências da ingestão elevada de proteínas, que pode provocar sobrecarga renal e desregulação do metabolismo. A realização de dietas restritivas pode levar ainda à cetoacidose, caracterizada por hiperglicemia, vômitos, dificuldade respiratória, entre outros sintomas. Isso ocorre porque o cérebro utiliza a glicose como principal substrato energético para a realização de suas funções. Para que as funções cerebrais sejam mantidas, quando há reduzida quantidade de carboidratos na dieta, o organismo ativa processos para o aumento da glicemia, como a glicogenólise e a gliconeogênese. A falta constante do nutriente ocasiona desregulação do metabolismo, favorecendo a hiperglicemia. Embora rara, caso não seja bem tratada, a cetoacidose resultante de dietas restritivas em calorias pode causar sérias complicações para a saúde.
   Devido ao fato de a dieta Dukan ser relativamente recente, não se sabe quais são os seus efeitos em longo prazo. Mais uma vez, é importante destacar que uma alimentação baseada em alimentos in natura e minimamente processados, que respeite a cultura e os hábitos alimentares do indivíduo e promova a adoção de hábitos saudáveis de vida é a melhor opção para a saúde.
   A complementação de pequenas quantidades de alimentos de origem animal, combinações de alimentos de origem vegetal – vários tipos de grãos, raízes, tubérculos, farinhas, legumes, verduras, frutas e castanhas – constituem base excelente para alimentação nutricionalmente balanceada, saborosa e culturalmente apropriada.

Referências

ASTRUP, A.; GEIKER, N. R. W. Efficacy of higher protein diets for long-term weight control. How to assess quality of randomized controlled trials?Nutrition Metabolism Cardiovascular Disease, v. 24, n. 3, p. 220-223, 2014.

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Guia alimentar para a população brasileira. 2. ed. Brasília, 2014. 156 p.

DO PRADO, W. L. et al. Perfil antropométrico e ingestão de macronutrientes em atletas profissionais brasileiros de futebol, de acordo com suas posições. Revista Brasileira de Medicina do Esporte, v. 12, n. 2, p. 61-65, 2006.

DUKAN, P. Eu não consigo emagrecer: a dieta Dukan. Tradução: Ana Adão. Rio de Janeiro: Best-seller, 2012. 308 p.

FREEMAN T. F.; WILLIS B.; KRYWKO, D. M. Acute intractable vomiting and severe ketoacidosis secondary to the Dukan Diet©. The Journal of Emergency Medicine, v. 47, n. 4, p. 109-112, 2014.

HANSEL, B; GIRAL, P.; COPPOLA-XAILLÉ, A. et al. E.L’enquête Internet nationale «Dukan, et après?»: premiers résultats. Obésité, v. 6, n. 3, p. 146-153, 2011.

KRAUSS, R. M. et al. AHA Scientific Statement: AHA Dietary Guidelines: Revision 2000: A Statement for Healthcare Professionals From the Nutrition Committee of the American Heart Association. Journal of Nutrition, v. 131, n.1, p. 132-146, 2001.

MAKRIS A.; FOSTER G. D. Dietary Approaches to the Treatment of Obesity. Psychiatric Clinics North America, v. 34, n. 4, p. 813-827, 2011.

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

DIETAS E SUCOS DETOX




   A dieta detox é composta por vários tipos de preparações, sucos, chás e coquetéis, e objetiva eliminar toxinas e reduzir a produção de radicais livres, que são prejudiciais às células do organismo. Em geral, os alimentos usados nessa dieta possuem baixo valor calórico, o que pode auxiliar na perda de peso.
   Porém, assim como outras dietas da moda, não pode ser seguida por um longo período de tempo, pois exige grande restrição alimentar, trazendo prejuízos para a saúde. Apesar da disseminação dessa dieta na população, poucas informações científicas são encontradas a respeito da dieta detox.
   Pesquisas em bases científicas demonstram que o termo detox está relacionado principalmente com a desintoxicação de drogas e álcool. Poucas publicações são relacionadas à alimentação, as quais envolvem estudos experimentais ou pequenos ensaios clínicos. 
   Os estudos científicos sobre dieta detox não foram realizados com alimentos, mas sim com suplementos industrializados visando à desintoxicação de substâncias químicas, apresentando ainda metodologia imprecisa e resultados controversos.
   A utilização dessa dieta ocorreu em situações de intoxicação por metais pesados como alumínio, chumbo, cádmio, entre outros. Estudos mostram que há evidências de que o coentro, uvas e vinho, maçãs, amoras e a casca e polpa de frutas cítricas, exibem propriedades quelantes naturais, sugerindo que estes alimentos podem ser úteis para a eliminação de metais tóxicos do organismo.
  Verifica-se, portanto, que o seu uso pode ser indicado apenas por especialistas em situações específicas de intoxicação por metais pesados.
   Sobre as dietas detox comerciais, essas podem trazer prejuízos para saúde, por apresentarem geralmente muito baixa caloria e serem pobres em proteína; além de efeitos adversos relatados pelos usuários dos produtos, como insônia, náusea e cefaleia. Quando relacionadas ao uso de laxativos e enemas, podem levar a complicações como perfuração intestinal, distúrbios de eletrólitos, desidratação e, consequentemente, riscos de arritmias, convulsões, comas e óbito.
  Sabe-se que nosso corpo é exposto a toxinas. Sistemas de defesas naturais do corpo humano, responsáveis pela eliminação dessas substâncias tóxicas do organismo, podem ser modulados por nutrientes e compostos bioativos dos alimentos. Entretanto, ainda não é conhecido o efeito de alimentos com propriedades detox em estudos científicos. 
   Os grandes benefícios obtidos pela dieta detox fundamentam-se na presença de alimentos in natura, como frutas e hortaliças, e aqueles minimamente processados. Sabe-se que esses alimentos são ricos em vitaminas, minerais, fibras e substâncias antioxidantes que, por conseguinte, possuem efeito positivo no combate aos radicais livres, além de apresentarem baixa densidade energética. Por isso, uma alimentação com grande variedade desses alimentos, não necessariamente vinculados à dieta
detox, auxilia no controle do peso e na manutenção da saúde.


Referência

GAIOLLA, P. S. A. A ciência e as dietas detox. Informativo Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição. Disponível em: <http://www.sban.org.br/por_dentro/informativos/186/a-ciencia-e-as-dietas-detox>. Acesso em: 25 ago. 2015.

HODGES, R. E.; MINICH, D. M.. Modulation of Metabolic Detoxification Pathways Using Foods and Food-Derived Components: A Scientific Review with Clinical Application. Journal of Nutrition Metabolism, v. 2015, p. 1-23, 2015.

KLEIN, A.V.; KIAT, H. Detox diets for toxin elimination and weight management:a critical review of the evidence. Journal of Human Nutrition Dietetics, v. 28,n.6, p.675-686, 2015.


terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Spirulina

A spirulina emagrece porque ela promove a saciedade, diminuindo a fome e a vontade de comer doces, e  além disso ela ajuda na recuperação dos músculos após a prática de exercícios físicos.


Spirulina é uma descendente imortal das primeiras formas de vida do planeta. É uma cianobactéria ou também chamada de “alga-azul” que possui características muito similares as primeiras formas de vida que habitaram o nosso planeta há 3,5 bilhões de anos.
Spirulina está presente na alimentação humana a mais de dois mil anos com diversos relatos de consumo por povos asiáticos, índios, incas, na África e na Europa, o que chamou a atenção dos mais conceituados centros de pesquisa do mundo, como a NASA que desenvolveu estudos para caracterizar e compreender os seus benefícios
O que eles descobriram?
Spirulina é um superalimento (ou superfood), isso porque o seu perfil de nutrientes e fitonutrientes incomuns são mais potentes do que qualquer outro alimento, planta, grão ou erva. Incrível não?
Esse alimento apresenta grande diversidade e quantidade de nutrientes que seu corpo necessita diariamente, sendo uma fonte natural de proteína de fácil absorção, aminoácidos, minerais, vitaminas, óleos essenciais e antioxidantes. Spirulina é um forte aliado para quem está em busca de uma alimentação completa e saudável.
Spirulina é ainda mais especial, pois possui alta digestibilidade no organismo humano. Na prática, o seu corpo tem a capacidade de absorver até 95% dos nutrientes disponíveis.

Então a Spirulina, para que serve?

NUTRIÇÃO COMPLETA !

Riqueza nutricional! Sem dúvidas a característica mais atrativa da Spirulina é a sua diversidade de nutrientes na composição. Spirulina possui mais de 50 nutrientes!
Toda essa riqueza é muito bem aproveitada pelo seu corpo, isso porque cada grupo de nutrientes atua especificamente para manter o bom funcionamento dos seus órgãos, principalmente o sistema nervoso que comanda todo o seu metabolismo e regula as suas funções corporais.

Fonte: 
https://my.oceandrop.com.br/spirulina-para-que-serve/
file:///C:/Users/User.User-PC/Downloads/7-40-1-PB.pdf

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Dieta sem Glúten e Lactose



   As dietas sem glúten e sem lactose são recomendadas para pessoas que apresentam doença celíaca e intolerância a lactose, respectivamente.
   A pessoa com doença celíaca apresenta intolerância permanente ou alergia ao glúten, uma proteína encontrada em cereais como trigo, centeio e cevada e seus subprodutos. Ademais, a aveia, embora inicialmente não apresente a proteína do glúten em sua constituição, é normalmente cultivada no mesmo terreno que esses grãos, em um processo chamado de rotação e, por isso, frequentemente, pode apresentar traços de glúten.
   O tratamento da doença baseia-se em uma alimentação isenta desta proteína por toda a vida. Para estas pessoas, o consumo do glúten provoca inflamação no intestino, além de outros efeitos colaterais, podendo impedir a absorção de nutrientes.
   Já a intolerância à lactose é caracterizada pela deficiência na produção da enzima lactase, necessária para a digestão da lactose, açúcar contido em leite e derivados. Na deficiência dessa enzima, a lactose passa a ser fermentada no intestino, causando sintomas indesejáveis, como diarreia e distensão abdominal. Existem vários graus de intolerância à lactose, por isso, alguns indivíduos, mesmo com a intolerância, conseguem ingerir pequenas quantidades de leite ou derivados, enquanto outros não toleram nem ao menos pequenas quantidades.
   Cada vez mais aflora a discussão sobre uma possível inflamação intestinal causada pelo glúten e pela lactose em pessoas que não apresentam a doença celíaca e não são intolerantes à lactose, respectivamente. Contudo, ainda não há pesquisas conclusivas que sustentem a recomendação de exclusão do glúten ou lactose da alimentação habitual para indivíduos saudáveis.
   Embora estudos iniciais sobre o glúten e a lactose sugerem que a sua retirada da alimentação podem favorecer a redução do peso corporal e do acúmulo de gordura, estes achados podem estar relacionados à redução da ingestão total de calorias e carboidratos na dieta, que, por si só, apresenta benefícios comprovados na redução de peso.
   Cabe destacar, ainda, que a maioria das pesquisas sobre os efeitos da dieta sem glúten e sem lactose é realizada em animais e apresenta resultados divergentes. Em pesquisa que avaliou o perfil nutricional de produtos vendidos em supermercados da Austrália, concluiu que aqueles que apresentam na embalagem a descrição de “sem glúten” apresentaram piores teores de nutrientes comparados com aqueles “com glúten”. 
   Os autores concluíram que é improvável que o consumo de produtos sem glúten, possa conferir benefícios para saúde, para aqueles que não têm intolerância ao glúten. 
   Contudo, mais pesquisas são necessárias para melhor esclarecer os mecanismos e comprovar se há reais efeitos de dietas sem lactose e glúten para indivíduos saudáveis. Quando se objetiva a redução do peso e a saúde, é preciso ter olhar ampliado. 
   Diversos fatores podem interferir na adoção de um “estilo de vida saudável” e no excesso de peso, desde a amamentação, a alimentação adequada e saudável, a prática de exercícios físicos, os ambientes obesogênicos, a publicidade de alimentos, entre outros.


Referências
BRASIL. Conselho Regional de Nutricionista. Parecer Técnico CRN-3 nº10/2015. Restrição ao Consumo de Glúten. Disponível em: <http://crn3.org.br/legislacao/pareceres-tecnico/>. Acesso em: 25 ago. 2015.

KAUKINEN, K.; COLLIN, P.; HUHTALA, H.; MÄKI, M. Long-term consumption of oats in adult celiac disease patients. Nutrients, v. 5, n. 11, p. 4380-4389,2013.

RICHMAN E. The safety of oats in the dietary treatment of coeliac disease. Proceeding of the Nutrition Society, v. 71, n. 4, p. 534-537, 2012.

SOARES, F. L. P. et al. Gluten-free diet reduces adiposity, inflammation and insulin resistance associated with the induction of PPAR-alpha and PPAR-gamma expression. The Journal of Nutrition Biochemistry, v. 24, n.6, p. 1105-1111, 2013.

SONE, M. G. et al. Effects of dietary lactose on long-termHigh-fat-diet-induced obesity in rats. Obesity, v. 15, n. 11, p. 2605-2613, 2007.

THE UNIVERSITY OF CHICAGO. Celiac Disease Center. Do oats contain gluten? 2015. Disponível em:<http://www.cureceliacdisease.org/archives/faq/do-oats-contain-gluten>. Acesso em: 25 ago. 2015.

WU, J. H. et al. Are gluten-free foods healthier than non-gluten-free foods?An evaluation of supermarket products in Australia. British Journal ofNutrition, v. 29, p. 1-7, 2015.

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Dieta Alcalina



   A dieta alcalina é baseada no pH dos alimentos, porém ainda não há definição de sua composição. O que foi estudado até o momento é que sua composição apresenta maior quantidade de frutas e legumes, que, por sua vez, apresentam maior teor de potássio e magnésio, resultando em um pH urinário mais alcalino.
   A insuficiência de estudos dificulta a compreensão dos mecanismos de ação desta dieta. Entre os possíveis benefícios da dieta alcalina tem-se a melhoria na relação potássio/sódio, que pode trazer benefícios à saúde óssea e reduzir a perda de massa muscular. Entretanto, por não haver definição concreta da composição da dieta alcalina, bem como estudos que comprovem seus efeitos, a recomendação fundamenta-se no consumo de frutas e hortaliças.
  A industrialização da alimentação e a modernização da agricultura vem impactando significativamente a composição da dieta. A dieta passou a apresentar baixos teores de fibras, vitaminas e minerais, como magnésio e potássio, ao mesmo tempo em que aumentou o teor de gordura saturada, açúcares simples e sódio. Por isso, torna-se mais simples, claro e interessante o estímulo ao consumo de alimentos in natura em detrimento do uso de uma dieta ainda pouco explorada. Esse deve ser o enfoque das orientações nutricionais realizadas pelos profissionais de saúde.

Referências
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Estratégias para o cuidado da pessoa com doença crônica: obesidade. Brasília, 2014. 214 p.

FENTON, T. R. et al. Causal assessment of dietary acid load and bone disease: a systematic review & meta-analysis applying Hill’s epidemiologic criteria for causality. Nutrition Journal, v. 10, n. 41, p. 1-23, 2011.

GALLAGHER, M. L. Os nutrientes e seu metabolismo. In: MAHAN, L.K.; ESCOTT-STUMP, S. Krause: alimentos, nutrição e dietoterapia. 12. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2010. cap. 3, p. 39-143.

SCHWALFENBERG, G. K. The alkaline diet: Is there evidence that an alkaline pH diet benefits health? Journal of Environmental and Public Health, v.2012, p. 1-7, 2011.